Como ocorre em todo ano, em uma tradição que remonta às origens da Organização das Nações Unidas, o presidente brasileiro foi o primeiro líder a discursar no chamado “Debate Geral” da 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Representantes de praticamente todas as nações do mundo, incluindo muitos chefes de Estado e de governo, tiveram de ouvir Lula como se estivessem em um comício do petista, que tratou de temas exclusivamente internos que não diziam respeito a mais ninguém naquele auditório, como o Pix e a escala 6×1. Mas, antes disso, a plateia ilustre foi exposta à visão muito peculiar das relações internacionais defendida por Lula e seu chanceler de facto, Celso Amorim. Uma visão que, em vez de defender princípios, apenas defende os companheiros ideológicos.
Lula começou fazendo uma condenação genérica da guerra, mas não demorou para que suas escolhas de palavras mostrassem que há guerras e guerras. Como bem recordou o colunista da Gazeta do Povo Francisco Razzo, o contraste nas referências lulistas à guerra entre Israel e o Hamas é marcante: enquanto o petista condena como “genocídio” a campanha israelense contra os terroristas islâmicos na Faixa de Gaza, os verdadeiros genocidas, aqueles que defendem a extinção do Estado de Israel, não são tratados dessa forma, ganhando inclusive o benefício de nem sequer aparecerem como sujeitos dos atos que praticam: “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse Lula – e só podemos imaginar o quando deve ter lhe custado colocar “Hamas”, “radicalismo”, “intolerância” e “atos terroristas” na mesma frase.
“Lula mais uma vez rebaixou a tribuna da ONU ao transformá-la em palanque eleitoral para suas mentiras e meias-verdades”





