Acordo em discussão com o MPF-SP promete revelar detalhes sobre rede de 14 plataformas de apostas, algumas com supostos vínculos com políticos do Centrão
O que está em jogo
A investigação sobre o uso de plataformas de apostas online para lavagem de dinheiro — que já resultou na prisão do influencer Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira — pode ganhar novos e mais amplos contornos nos próximos dias. Um dos acusados no caso está em negociação avançada para firmar um acordo de delação premiada com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP).
A expectativa é que o colaborador revele informações detalhadas sobre uma rede composta por 14 plataformas de apostas (bets), ampliando significativamente o alcance da investigação. A coluna apurou que a primeira reunião formal para discutir os termos do acordo foi agendada para esta sexta-feira, 4 de setembro.
O esquema investigado
A ação penal que tramita na Justiça Federal de Santos apura um suposto esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que utilizava três pilares principais:
Empresas de apostas online (bets)
Criptoativos (moedas digitais)
Operações internacionais (movimentação de recursos entre países)
Segundo a acusação do MPF, embora Buzeira não constasse formalmente como sócio das empresas investigadas, ele teria atuado como financiador, controlador oculto e beneficiário econômico de estruturas ligadas às marcas BRXBET e RICOBET.
Quem é Buzeira
Bruno Alexssander Souza Silva, mais conhecido nas redes sociais como Buzeira, é um influencer digital que acumulou visibilidade principalmente por meio de conteúdo relacionado a apostas esportivas e estilo de vida de luxo. Ele foi preso no âmbito da Operação Narco Bet, mas foi soltos na semana passada após o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) conceder habeas corpus em seu favor.
A Operação Narco Bet
O caso faz parte da Operação Narco Bet, um desdobramento de uma investigação mais ampla sobre tráfico internacional de drogas por rotas marítimas. Durante as apurações, as autoridades identificaram indícios de que o esquema criminoso também utilizava plataformas de apostas como mecanismo de ocultação e movimentação de recursos ilícitos.
A operação já deu origem a múltiplas denúncias e procedimentos judiciais:
Em novembro de 2025: O MPF apresentou uma primeira denúncia envolvendo 11 pessoas relacionadas ao caso.
Em junho de 2026: Uma nova denúncia foi oferecida, desta vez incluindo Buzeira e outros quatro investigados.
O que a delação pode revelar
A delação premiada em negociação promete ser um ponto de virada na investigação. Entre as informações que o colaborador se dispõe a revelar, destaca-se:
Detalhes sobre 14 plataformas de apostas envolvidas no esquema
Possíveis conexões de algumas dessas bets com um dirigente partidário do Centrão, o que poderia abrir uma nova frente política na investigação
Se confirmadas, essas revelações podem não apenas ampliar o número de investigados, mas também expor vínculos entre o mundo das apostas online e a política nacional.
O que acontece agora
Com a primeira reunião de negociação marcada para sexta-feira (4/9), as próximas semanas serão decisivas para definir:
Se o acordo de delação será de fato firmado
Quais informações serão efetivamente reveladas
Se novas prisões ou denúncias serão desencadeadas
A expectativa é que, caso a colaboração se concretize, a investigação sobre lavagem de dinheiro via sites de apostas ganhe proporções ainda maiores, possivelmente atingindo novos nomes e novos setores da economia digital e política brasileira.





