Uma reportagem veiculada pelo jornal Correio do Estado em 2024 voltou ao centro do debate público e aumentou a pressão sobre o deputado federal Marcos Pollon. O parlamentar é cobrado a prear esclarecimentos sobre a suposta ligação entre a associação PRÓ ARMAS e um clube de tiro sediado no município de Maracaju, no interior de Mato Grosso do Sul. O estabelecimento é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura o fornecimento de armas de grosso calibre para a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo documentos do inquérito policial aos quais a reportagem teve acesso, o esquema utilizava uma estrutura bem definida para legalizar o ingresso de fuzis e outras armas de fogo no mercado clandestino. O clube de tiro — que possui unidades em Campo Grande e Maracaju — cooptava moradores de bairros periféricos da capital sul-mato-grossense para atuarem como supostos “laranjas”.
As investigações revelam que pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que enfrentavam dificuldades para pagar faturas de energia elétrica de aproximadamente R$ 200, apareciam nos registros oficiais como qualificadas para a compra de arsenais avaliados em mais de R$ 100 mil. As aquisições incluíam armamentos de alto poder de destruição, como fuzis calibre 7,62 mm, sob o respaldo do registro de Caçador, Atirador Desportivo e Colecionador (CAC).

Conexão com o crime organizado
Entre os alvos que chamaram a atenção dos investigadores federais está uma mulher identificada como Kessiene, apontada no inquérito por sua proximidade com indivíduos investigados pela Justiça. De acordo com a PF, ela é irmã de Tiago Vinícius Vieira, apontado como integrante do TCP — organização criminosa com forte atuação no Rio de Janeiro e associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na época em que as diligências e interceptações da Polícia Federal foram executadas, Tiago Vinícius já se encontrava custodiado na penitenciária de Bangu IV, na capital fluminense. As apurações buscam determinar a extensão do ramal logístico que conectava os registros de atiradores em Mato Grosso do Sul ao abastecimento de armas para o crime organizado no Rio de Janeiro.
CAC ou testa-de-ferro?
Um dos casos de pessoas com registro de CAC, usadas como possíveis testas-de-ferro pelo crime organizado, é Kessiene Vieira Pinheiro. Mesmo tendo quatro de suas oito armas registradas no Exército Brasileiro transferidas de Mirella Andrade, irmã de Rodrigo e possível laranja nas operações do esquema, no processo de Kessiene para tornar-se uma CAC, a Polícia Federal destaca que não há requerimento, declaração de idoneidade ou laudo de tiro emitido por instrutor da PF ou Exército.
Chama a atenção dos policiais federais a proximidade de Kessiene com pessoas com problemas com a lei. Conforme a Polícia Federal, ela é irmã de Tiago Vinícius Vieira, apontado como integrante da facção Terceiro Comando Puro (TCP), organização afilhada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no Rio de Janeiro (RJ). Na época das investigações, ele estava preso na penitenciária de Bangu IV, na capital fluminense.





