PF desarticula rota de cigarros contrabandeados

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A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Descobrimento para apurar a atuação de um grupo investigado por contrabando de cigarros e associação criminosa. Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Espírito Santo, em Minas Gerais e na Bahia. A investigação teve origem na apreensão, em agosto de 2024, de aproximadamente 200 mil maços de cigarros de origem paraguaia.

As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal Criminal de Vitória. Dois mandados foram cumpridos em Cariacica, no Espírito Santo, um em Governador Valadares, em Minas Gerais, e dois em Teixeira de Freitas, na Bahia. A Polícia Militar baiana apoiou as diligências realizadas no estado. O objetivo principal desta fase foi reunir elementos de prova sobre a logística e os participantes do suposto esquema.

Durante as buscas, as equipes apreenderam cerca de 1,1 mil maços de cigarros estrangeiros, uma caminhonete e aparelhos celulares. Um homem foi preso em flagrante em Cariacica por posse de cigarros que teriam sido introduzidos irregularmente no país. Os dispositivos eletrônicos passarão por perícia e podem ajudar a identificar fornecedores, compradores, rotas e pagamentos.

A Justiça Federal também autorizou medidas cautelares patrimoniais contra um investigado. Foram determinados o bloqueio de valores em contas e aplicações financeiras até R$ 1.093.260, a indisponibilidade de imóveis e a restrição judicial de veículos. Medidas desse tipo procuram preservar bens que, caso a origem ilícita seja comprovada, podem ser usados para ressarcimento ou perdimento após o devido processo legal.

O contrabando de cigarros alimenta redes que atravessam fronteiras, evita tributos e coloca no mercado produtos sem o controle aplicado aos fabricantes regulares. Além de prejudicar comerciantes que cumprem a lei, a atividade pode financiar outras práticas criminosas. Por isso, a repressão eficiente depende de investigação financeira e logística, e não apenas da apreensão da mercadoria em trânsito.

A PF informou que continuará analisando o material para determinar a extensão da atuação do grupo, sua estrutura, fornecedores, adquirentes e eventuais outros envolvidos. Os investigados poderão responder, em tese, por contrabando e associação criminosa. A prisão em flagrante e as cautelares não representam condenação definitiva. Todos mantêm direito à defesa e à presunção de inocência, e a responsabilidade penal somente poderá ser reconhecida após a apresentação das provas e o julgamento pelas autoridades competentes.

Os dados obtidos na operação também podem fortalecer a cooperação entre estados e órgãos de fronteira. Uma cadeia que começa com produto estrangeiro e alcança diferentes mercados exige troca rápida de informações. A repressão deve se concentrar nos financiadores e distribuidores, evitando que apreensões isoladas deixem intacta a estrutura econômica responsável por recolocar novas cargas nas mesmas rotas.

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