DISCURSO NA ONU
Na ONU, presidente defendeu cooperação contra armas e lavagem de dinheiro e criticou interferências em processos políticos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado em território brasileiro durante discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira, 22 de setembro. Ao mesmo tempo, defendeu cooperação internacional para enfrentar o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro que financiam organizações criminosas.
A manifestação distinguiu colaboração entre governos de operações militares externas. Lula afirmou que o Brasil não pretende transferir a responsabilidade pela defesa das fronteiras e pela segurança de sua população. Segundo o presidente, o enfrentamento ao crime deve concentrar esforços sobre os fluxos de armamentos e recursos financeiros, preservando a condução nacional das ações.
Nesse contexto, disse que o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação para combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. Também afirmou que o país vem fortalecendo a coordenação entre os estados. Essas declarações expressam a posição apresentada pelo presidente; não constituem, isoladamente, uma demonstração dos resultados alcançados pelas medidas citadas.
A segurança pública apareceu dentro de uma defesa mais ampla da soberania e da autonomia dos países latino-americanos. Lula declarou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e criticou o que classificou como retomada de práticas de ingerência externa, divisão do mundo em zonas de influência e disputas por recursos estratégicos.
Ao abordar a região, o presidente sustentou que os venezuelanos devem decidir seu destino sem interferências externas. Sobre a Nicarágua, afirmou que impedir a participação da oposição nas eleições não resolve os problemas do país. Também mencionou a crise humanitária do Haiti e voltou a criticar o embargo econômico imposto a Cuba.
Lula defendeu maior integração entre os vizinhos e disse que diferenças ideológicas não deveriam impedir uma agenda de desenvolvimento. O discurso relacionou essa posição à trajetória latino-americana de superação de regimes autoritários. As avaliações sobre pressões estrangeiras e sobre os caminhos dos países mencionados foram apresentadas como argumentos políticos do presidente brasileiro.
A campanha eleitoral brasileira também entrou na manifestação. Lula disse que redes de desinformação representam um desafio ao debate público e afirmou confiar nas instituições e no sistema eleitoral. Anunciou atenção do Estado a possíveis interferências, mas a reportagem não descreve, nesse trecho do discurso, uma nova medida administrativa com regras ou prazo de execução.
O pronunciamento incluiu ainda críticas ao negacionismo em saúde e meio ambiente e uma defesa da retomada da agenda climática internacional. No eixo da segurança, a posição central foi manter a responsabilidade brasileira sobre o território e buscar cooperação contra os meios que sustentam o crime. A implementação e os resultados dessa cooperação deverão ser avaliados por ações concretas, separadamente das declarações feitas na tribuna.
Fonte: Agência Brasil.
Assembleia Geral da ONU durante participação de Lula em 2023. Foto de arquivo: Ricardo Stuckert/Presidência da República.





