A Agência Nacional de Transportes Terrestres apresentou nesta terça-feira (25) as próximas frentes de trabalho voltadas à expansão dos investimentos em rodovias e ferrovias. A agenda foi discutida durante visita do ministro dos Transportes, George Santoro, à sede da autarquia, em Brasília, em encontro com servidores e colaboradores.
Segundo a ANTT, a conversa tratou da integração entre o ministério e a agência, dos resultados recentes da regulação e dos desafios para uma nova etapa da infraestrutura nacional. O setor depende de planejamento de longo prazo, regras claras e fiscalização permanente para atrair capital, assegurar a qualidade dos serviços e evitar que o usuário arque com ineficiências.
Rodovias e ferrovias possuem impacto direto sobre a competitividade brasileira. A maior parte da produção agrícola e industrial percorre longas distâncias até centros consumidores ou portos. Quando a infraestrutura é inadequada, aumentam o gasto com combustível, o desgaste dos veículos, o tempo de viagem e as perdas de carga. Esses custos acabam incorporados ao preço final pago pelas famílias.
A participação privada pode acelerar obras e modernizar serviços, desde que os contratos tenham metas objetivas, matriz de riscos equilibrada e mecanismos efetivos de cobrança. A regulação precisa dar segurança ao investidor sem abrir mão do interesse público. Concessões mal estruturadas, aditivos pouco transparentes e cronogramas descumpridos comprometem a confiança e atrasam o desenvolvimento.
No transporte ferroviário, o desafio inclui ampliar a integração entre regiões produtoras, terminais e portos. Uma malha mais diversificada reduz a dependência das estradas e oferece alternativa eficiente para grandes volumes de carga. Nas rodovias, manutenção, duplicação, sinalização e atendimento ao usuário são essenciais para diminuir acidentes e tornar o deslocamento mais previsível.
Mato Grosso do Sul tem interesse direto nesse debate. O estado ocupa posição estratégica para o agronegócio, a indústria de celulose e a integração com os países vizinhos. Projetos conectados à Rota Bioceânica e aos corredores nacionais podem reduzir distâncias até mercados externos, gerar investimentos e criar oportunidades em municípios localizados ao longo dos novos eixos logísticos.
A reunião representa uma etapa institucional, não a entrega imediata de obras. Resultados concretos dependerão da definição de projetos, licitações, contratos, licenciamento, financiamento e fiscalização. A sociedade precisa acompanhar prazos e compromissos, exigindo transparência sobre tarifas, investimentos obrigatórios e qualidade.
Infraestrutura eficiente é uma política de Estado e não deve ficar sujeita à improvisação. Projetos devem sobreviver a mudanças administrativas, desde que mantenham viabilidade e interesse público, para que obras de muitos anos não sejam interrompidas por decisões circunstanciais.
A combinação de responsabilidade regulatória, capital privado, controle público e prestação de contas pode transformar corredores logísticos em crescimento, produtividade e segurança para quem trabalha e circula pelo país.





