PF indicia ex-presidente do INSS e “Careca” por esquema de R$ 6 bilhões em descontos irregulares em aposentadorias

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A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta terça-feira (14/7), 48 pessoas suspeitas de participação em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e benefícios previdenciários. Entre os investigados estão o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto; o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho; e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores das fraudes por meio de associações.

A informação foi confirmada pelo Metrópoles. Os indiciamentos respondem por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, entre outros delitos, conforme o primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, que investiga cobranças não autorizadas em benefícios de segurados.

Além de Stefanutto, o ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis e Virgílio Ribeiro também foram indiciados. Os três estão presos preventivamente desde o fim de 2023.

O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), concentra-se na atuação da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), caracterizada pela PF como uma organização criminosa estruturada hierarquicamente. O presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e outros membros também foram indiciados.

Documentos apreendidos, como planilhas com registros de propina, coincidiram com transferências bancárias analisadas. O caso será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará a apresentação de denúncia formal. A PF informou que as investigações continuam, com foco em outras associações e possíveis novos envolvidos.

O relatório não abrange a apuração sobre uma suposta ligação do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), com o “Careca do INSS” – investigação ainda em andamento.

O escândalo, revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens a partir de dezembro de 2023, mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidades de aposentados disparou para R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações acumulavam milhares de processos por fraudes. As matérias do portal embasaram a abertura do inquérito da PF e alimentaram as investigações da Controladoria-Geral da União (CGU), resultando na demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, após a deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril.

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