A política em Brasília costuma oferecer espetáculos pragmáticos, mas poucos tão transparentes quanto a recente movimentação do senador Davi Alcolumbre (União-AP). Derrotado e enfraquecido em sua própria base eleitoral no Amapá nas últimas eleições municipais, o parlamentar agora busca abrigo em uma das pautas mais emblemáticas e controversas da esquerda nacional: o fim da escala de trabalho 6×1.
A guinada de Alcolumbre não passa de uma tentativa desesperada de se reformatar perante a opinião pública e reconquistar relevância politica. Acostumado a transitar nos bastidores do poder e a operar o orçamento público longe dos holofotes doutrinários, o senador agora veste o figurino de defensor do trabalhador — uma roupagem artificial que contraria princípios básicos da responsabilidade econômica e do livre mercado.
O perigo do populismo econômico
A articulação em torno da alteração da jornada de trabalho via imposição estatal é um velho conhecido atalho demagógico. Ao acenar favoravelmente à flexibilização ou extinção da escala 6×1 sem o devido debate técnico sobre produtividade e custos trabalhistas, Alcolumbre ignora os impactos devastadores que tal medida pode causar ao setor produtivo, em especial aos pequenos e médios empresários — que são os verdadeiros geradores de emprego no país.
Especialistas e lideranças do setor comercial já alertam: a redução forçada da jornada sem a correspondente adequação salarial ou ganho de produtividade resultará em inflação, aumento do trabalho informal e fechamento de vagas de emprego. Trata-se de uma conta que, no final das contas, será paga pelo próprio trabalhador que o discurso populista promete proteger.
Sobrevivência política acima da responsabilidade
Para analistas políticos, a movimentação de Alcolumbre expõe a fragilidade de lideranças que priorizam projetos pessoais de sobrevivência em detrimento dos rumos econômicos do Brasil. Ao se aliar a uma pauta tipicamente progressista para tentar criar uma cortina de fumaça sobre seus reveses locais no Amapá, o senador demonstra que o pragmatismo fisiológico continua se impondo sobre qualquer compromisso com a eficiência econômica ou com a segurança jurídica dos negócios no país.
O Brasil precisa de reformas que estimulem a liberdade econômica, desregulamentem o mercado e incentivem quem emprega, e não de manobras de ocasião desenhadas nos gabinetes da capital para salvar biografias políticas em crise. O eleitorado, cada vez mais atento e consciente, dificilmente se deixará enganar por mais um aceno populista.





