A Convenção de Médicos pela Liberdade divulgou uma nota oficial repudiando a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita em Belém (PA). Na ocasião, ao defender a realização de exames preventivos, Lula afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”. A entidade médica classificou a fala como inadequada, destacando que o toque vaginal em crianças não faz parte da rotina médica e não deve ser considerado normal, além de associar a declaração a uma possível inclinação à pedofilia.

E não se trata de exagero. Basta lembrar o arquipélago do Marajó, no mesmo Pará onde Lula discursava, cenário de denúncias históricas e recorrentes de exploração sexual de crianças e adolescentes. Ali, meninas são aliciadas em balsas em troca de comida ou óleo diesel, e os índices de estupro de vulnerável superam em muito a média nacional. Enquanto autoridades e entidades denunciam há décadas a naturalização da violência sexual infantil na região, o presidente, a poucos quilômetros dali, sugere que o “toque” faz parte do aprendizado feminino desde cedo. Uma coincidência geográfica e discursiva que, no mínimo, deveria provocar constrangimento e não aplausos.
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