Operação Raio X mira contratos milionários e recursos públicos

PF investiga possíveis desvios no Conter, cumpre 12 buscas e informa sequestro de imóvel; contratos somariam R$ 3,5 milhões.

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Viatura da PF em registro divulgado sobre a Operação Raio X. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

DINHEIRO SOB LUPA

PF investiga possíveis desvios no Conter, cumpre 12 buscas e informa sequestro de imóvel; contratos somariam R$ 3,5 milhões.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 29 de setembro, a Operação Raio X para investigar possíveis irregularidades na contratação de serviços advocatícios e desvios de recursos do Conselho Federal de Técnicos em Radiologia, o Conter. Segundo a corporação, os contratos examinados teriam movimentado aproximadamente R$ 3,5 milhões, valor que ainda integra o objeto da apuração.

A ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em Brasília, Salvador, Recife, Mauá, em São Paulo, e Serra, no Espírito Santo. A Justiça Federal autorizou as medidas, realizadas em residências, escritórios de advocacia e na sede do conselho. Também foi informado o sequestro de um imóvel no contexto das diligências.

De acordo com os elementos descritos pela PF, recursos pagos aos escritórios contratados teriam sido transferidos posteriormente entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados. A suspeita envolve uma sequência de operações financeiras cuja finalidade está sendo examinada. A existência dessas movimentações, por si só, não permite concluir que todos os valores correspondam a dinheiro desviado.

Outra frente investiga possíveis pagamentos anteriores à formalização dos contratos. Os policiais também apuram a contratação sem licitação de um escritório criado pouco tempo antes da prestação de serviços ao Conter. A legalidade das contratações, a realização efetiva do trabalho e o destino dos recursos são os três pontos centrais destacados no comunicado oficial.

A PF informou que os fatos podem caracterizar, em tese, peculato, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Outros delitos poderão ser identificados ao longo da investigação. Essa indicação descreve hipóteses jurídicas sob análise, não uma condenação. A responsabilização depende da comprovação dos fatos e da participação individual, com oportunidade de defesa dos envolvidos.

O montante de R$ 3,5 milhões exige atenção na leitura da notícia: ele representa a movimentação atribuída aos contratos investigados, e não um prejuízo definitivamente calculado ou uma quantia integralmente recuperada. Da mesma forma, o sequestro de um imóvel não corresponde à declaração final de perda do bem nem encerra a apuração de sua origem.

O episódio recoloca em evidência a necessidade de documentação, rastreabilidade e controle sobre a destinação dos recursos administrados por entidades públicas. No caso concreto, a própria polícia informou que ainda precisa esclarecer se os serviços foram efetivamente prestados. Essa verificação é essencial para distinguir uma contratação regular de possíveis pagamentos sem contraprestação ou realizados de maneira ilegal.

A nota consultada não apresenta conclusão do inquérito nem manifestação das defesas. Não é possível atribuir culpa a pessoas não identificadas ou estender as suspeitas à categoria profissional representada pelo conselho. O acompanhamento deve concentrar-se no resultado das buscas, na análise dos contratos e nas decisões judiciais, mantendo a presunção de inocência.

Fonte: Polícia Federal.

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