PF apreende R$ 220 mil ao investigar apoio eleitoral

Operação na Paraíba apura possível negociação entre agentes políticos e grupo criminoso; Justiça afasta secretário por 90 dias.

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Dinheiro apreendido na Operação Zona de Influência. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

ELEIÇÃO SOB INVESTIGAÇÃO

Operação na Paraíba apura possível negociação entre agentes políticos e grupo criminoso; Justiça afasta secretário por 90 dias.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 29 de setembro, a Operação Zona de Influência, na Paraíba, para investigar uma suspeita de negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de um grupo criminoso. O comunicado oficial informa a apreensão de R$ 220 mil em espécie no contexto da ação.

Foram expedidos sete mandados de busca e apreensão pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. A Justiça Eleitoral também determinou o afastamento cautelar, durante 90 dias, de um secretário municipal de João Pessoa. A medida é temporária e vinculada à investigação, não representa condenação nem autoriza concluir antecipadamente pela culpa do agente público.

Segundo a linha de apuração divulgada pela PF, integrantes da organização criminosa teriam utilizado o controle territorial sobre comunidades para negociar apoio político. Também seria negociada a autorização para que candidatos entrassem nessas áreas e realizassem atividades de campanha. A hipótese coloca sob investigação a possível interferência de estruturas criminosas na disputa eleitoral.

Em contrapartida, os investigadores apuram supostos pagamentos a uma liderança do grupo e o custeio de despesas de um centro comunitário. A nota menciona ainda tratativas envolvendo cargos e empregos na administração pública, entre outros possíveis benefícios. Esses pontos são alegações investigadas, e não fatos cuja responsabilidade individual já tenha sido estabelecida judicialmente.

A Polícia Federal informou que apura, em tese, crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado. As diligências pretendem aprofundar o esclarecimento dos acontecimentos e individualizar as condutas. Isso significa verificar o papel atribuído a cada pessoa, em vez de presumir participação indistinta de todos os investigados.

O valor apreendido é um dado material anunciado pela corporação, mas não equivale automaticamente ao montante de uma compra de votos comprovada. A origem, a finalidade e a eventual ligação do dinheiro com as negociações investigadas dependem da análise das provas. A nota também não permite atribuir os fatos a partidos ou candidatos não identificados oficialmente.

A proteção da liberdade de escolha do eleitor exige que campanhas possam ocorrer sem submissão a grupos armados ou a intermediários criminosos. No caso divulgado, a investigação busca justamente esclarecer se o acesso às comunidades e o apoio eleitoral foram convertidos em objeto de negociação. A resposta deverá resultar das evidências reunidas, com controle judicial.

Até o momento do comunicado, a PF não anunciou sentença, conclusão do inquérito ou responsabilização definitiva. O afastamento e as buscas são instrumentos de apuração. O acompanhamento público deve cobrar esclarecimento sobre os recursos, os possíveis benefícios e os vínculos investigados, preservando a presunção de inocência e evitando transformar suspeitas em acusações comprovadas. Os fatos permanecem sujeitos à verificação pelas autoridades competentes.

Fonte: Polícia Federal.

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