PF mira lavagem do tráfico e bloqueia bens na fronteira

Operação Fratres apura movimentações superiores a R$ 89,79 milhões; medidas alcançam imóveis, veículos e contas de investigados.

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Registro divulgado pela Polícia Federal na notícia da Operação Fratres. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

DINHEIRO DO CRIME

Operação Fratres apura movimentações superiores a R$ 89,79 milhões; medidas alcançam imóveis, veículos e contas de investigados.

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 28 de setembro, a Operação Fratres para investigar lavagem de dinheiro supostamente ligada ao tráfico internacional de drogas e de armas. A ação ocorre em Guaíra, no Paraná, com apoio da Receita Federal. Além de buscas e prisões preventivas, foram determinados bloqueios de bens e valores de investigados.

Segundo a comunicação oficial da PF, são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, expedidos pela 1ª Vara Federal de Umuarama. O balanço divulgado descreve as ordens e os objetivos da operação. Não informa uma condenação dos alvos, que devem ter suas responsabilidades individualizadas ao longo da investigação e do processo.

As análises financeiras, patrimoniais e fiscais identificaram movimentações superiores a R$ 89,79 milhões desde 2019, considerando créditos e débitos. Esse total não deve ser apresentado como dinheiro apreendido ou prejuízo definitivamente comprovado. Ele corresponde ao fluxo examinado pelos investigadores, cujo vínculo com atividades ilícitas integra o objeto da apuração em andamento.

A investigação deriva de diligências relacionadas à Operação Transloading, que havia atingido parte da logística de transporte de drogas da fronteira para outras regiões brasileiras. A partir desse trabalho, a PF afirma ter encontrado sinais de uma estrutura transnacional envolvendo Paraguai, Bolívia e Nordeste do Brasil, com ramificações na faixa de fronteira paranaense.

De acordo com a hipótese investigativa, o grupo utilizaria tanto empresas de fachada quanto negócios em funcionamento para ocultar a origem dos recursos. A polícia também menciona operações simuladas com imóveis e veículos, além de atividades de transporte e logística. O uso de uma empresa em determinada operação, isoladamente, não comprova responsabilidade de todos os seus empregados ou parceiros.

As diligências apontam ainda a dispersão dos valores entre empresas como possível mecanismo para dificultar o rastreamento. As medidas judiciais alcançam contas bancárias, imóveis residenciais e comerciais, veículos e embarcações. A finalidade declarada é restringir a disponibilidade de patrimônio possivelmente relacionado aos crimes e preservar condições para eventual ressarcimento ou perda dos proveitos ilícitos.

O bloqueio patrimonial tem natureza cautelar e não equivale à transferência definitiva de todos os bens ao Estado. Da mesma forma, a prisão preventiva não substitui julgamento sobre culpa. A apuração deverá confrontar documentos, fluxos financeiros e demais elementos para esclarecer a origem dos recursos e a participação de cada pessoa eventualmente envolvida.

O caso destaca uma frente central da segurança pública: investigar o financiamento e o patrimônio das organizações, além da circulação física de drogas e armas. O rigor deve alcançar eventuais responsáveis sem atingir indiscriminadamente a atividade econômica legítima da fronteira. A eficácia da operação será medida pelo esclarecimento dos fatos e pela sustentação das provas perante a Justiça.

Fonte: Polícia Federal.

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