Da vitrine de luxo à mira do Gaeco: boutique Karen Manica é alvo de operação contra lavagem de dinheiro de facção gaúcha

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Seis anos depois de ser apresentada como exemplo de sucesso e bom gosto no comércio de Campo Grande, a loja Karen Manica, na Avenida Mato Grosso, amanheceu com mandados de busca e apreensão cumpridos pelo Gaeco.

Em 2020, o Jornal Midiamax publicou um publieditorial celebrando a nova fase da loja Karen Manica. A matéria destacava os 26 anos de trajetória da empresária Karen Manica, natural de Porto Alegre (RS), que veio para Campo Grande ainda criança e cresceu em uma família de comerciantes — a tia, no ramo de calçados no Rio Grande do Sul; o pai, pioneiro em energia solar. O novo espaço na Avenida Mato Grosso era exaltado como referência de estilo: looks de festa, peças exclusivas, produção nacional e confecções de Minas Gerais, com parcelamento em até 10x sem juros.

Nesta quinta-feira (10), esse mesmo endereço foi um dos 17 alvos da Operação Luxúria, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), com apoio do Gaeco de Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro, contra o braço financeiro de uma facção criminosa gaúcha. Conforme apurou o Campo Grande News, a loja Karen Manica foi alvo de busca e apreensão, e a dona, que dá nome ao estabelecimento, estaria em viagem no momento da ação.


Mandados e apreensões

De acordo com o Midiamax, foram cumpridos quatro mandados contra a empresária: um na loja, na Avenida Mato Grosso; um na casa da mãe dela; outro na residência de uma funcionária; e o último na casa da própria Karen, onde o filho dela — um rapaz de 21 anos que cursa Direito — foi detido após os agentes encontrarem munição no local.

No total, a operação resultou no bloqueio e na apreensão de R$ 8,1 milhões em bens em três estados. Entre os bens de alto padrão estão uma mansão avaliada em R$ 2,95 milhões em condomínio fechado de Porto Alegre, uma loja de roupas, joias e artigos de luxo em bairro nobre da capital gaúcha, joias, pedras preciosas e dois veículos blindados.

Segundo o MPRS, sete investigados ligados ao núcleo familiar e empresarial do esquema foram identificados. O grupo utilizaria empresas de fachada, familiares e “laranjas” para ocultar e dissimular a origem do dinheiro vindo do crime. A ramificação do esquema para Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro foi identificada após os investigadores rastrearem movimentações financeiras e patrimoniais incompatíveis com a renda declarada dos suspeitos.


O contraste entre as duas realidades

O encerramento do ciclo é simbólico. Há seis anos, a matéria promocional apresentava Karen como a empresária que “desde criança no meio de comerciantes” construiu uma das marcas mais conhecidas de Campo Grande, com roupas “para o dia a dia” e vestidos “para arrasar”. Agora, a mesma loja aparece no centro de uma investigação sobre o destino de dinheiro do tráfico.

A defesa da empresária, representada pelos advogados Jail Azambuja e Sergio Lanzone, informou ao Jornal Midiamax que vai acessar o processo para só então se manifestar. A investigação segue em andamento, com o objetivo de apreender novas provas, mapear a extensão das empresas usadas no esquema e rastrear outros bens ligados ao patrimônio oculto da facção.

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