O candidato Fábio Trad, do PT, teve no debate da TV Morena, nesta terça-feira, 29 de setembro, a oportunidade de apresentar suas propostas para Mato Grosso do Sul. Sua participação ficou concentrada nos ataques com fake news ao governador Eduardo Riedel, enquanto as soluções que deveria apresentar perderam espaço.
A crítica à postura do petista é direta: quem disputa o governo precisa mostrar capacidade de construir respostas. Cobrar o adversário faz parte do debate, mas não substitui a obrigação de explicar o próprio plano de governo.
O eleitor precisa conhecer medidas concretas para a saúde, a segurança, a educação e a geração de empregos. Precisa saber quais são as prioridades, de onde virão os recursos e quais compromissos poderá cobrar de quem vencer a eleição.
Fábio desperdiça uma oportunidade quando dá mais peso ao confronto do que à apresentação de seu projeto. O debate exige preparo para questionar, mas também disposição para responder.
Atacar o governador não é um plano de governo. E quem pede a confiança da população precisa oferecer mais do que críticas ao nome que pretende substituir.
O que ficou sem resposta de Fábio do PT foi a questão da Embratur:
Fabio Trad recebeu mensalmente da Embratur desde 2023 e enriqueceu R$ 1,3 milhão no sofá de casa?
Segundo denúncia publicada na última quinta-feira (22) pelo jornalista Otávio Neto, Trad teria recebido cerca de R$ 25 mil por mês para desempenhar funções de forma remota, diretamente de sua casa, em Campo Grande.
Desde sua nomeação, em fevereiro de 2023, para o cargo de gerente de Auditoria e Controle, os valores já somariam mais de R$ 1 milhão em salários pagos — conforme a apuração, sem que houvesse registro de comparecimento presencial na sede da Embratur, localizada em Brasília.
Além disso, o jornalista aponta que o ex-parlamentar teria utilizado parte de seu tempo para produzir vídeos em defesa das realizações do presidente Lula (PT) e para atacar adversários políticos da direita sul-mato-grossense, o que levantaria questionamentos sobre o cumprimento de suas atribuições no órgão.
No campo político, Neto avalia que Fábio Trad ainda enfrenta obstáculos para viabilizar sua candidatura ao governo estadual, especialmente diante da força do atual governador Eduardo Riedel (PP). Entre os pontos de incerteza estão o possível respaldo formal do presidente Lula e a garantia de recursos financeiros para a campanha.
A reportagem informa que procurou Fábio Trad para comentários, mas não havia obtido resposta até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestações.
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